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Piometra: enfermidade em cães muito comum na rotina clínica

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Colunista: Jackelyne Dutra – CRMV-GO 05767

A piometra é uma infecção bacteriana que acontece no endométrio, tecido que reveste o útero, devido a um prolongado estimulo hormonal. É uma enfermidade em cães muito comum na rotina clínica do médico veterinário.

Durante o cio, os glóbulos brancos do sangue, que normalmente protegem o organismo contra infecções, são inibidos de entrarem no útero. Isso permite que o esperma entre no aparelho reprodutor da fêmea sem ser danificado ou destruído pelos glóbulos brancos. Quando se passa o cio da cadela, o hormônio progesterona continua com os níveis elevados por até dois meses e causa o espessamento da parede do útero, preparando o útero para uma possível gravidez e desenvolvimento dos fetos.

Caso a cadela não fique prenha por vários cios seguidos, o revestimento do útero continua aumentando sua espessura, podendo formar até cistos dentro dos tecidos, a hiperplasia endometrial cística. O endométrio começa a expelir fluidos que criam o ambiente ideal para as bactérias se proliferarem. Os altos níveis de progesterona inibem a capacidade dos músculos na parede do útero a se contraírem e expelirem líquidos ou bactérias acumuladas. Essas bactérias que estão no útero podem se instalar nos rins pela corrente sanguínea e levar até as cadelas a morte.

Geralmente acometem cadelas inteiras, sendo que cadelas nulíparas têm mais chances de adquirir a doença do que cadelas primíparas e pluríparas, cadelas mais velhas tem maior incidência e geralmente acomete animais com mais de 9 anos. Outros fatores predisponentes incluem ciclos estrais irregulares (cios) e pseudociese (gravidez psicológica).

Há dois tipos de piometra: a aberta e a fechada. Na piometra aberta a cadela apresenta um corrimento com pus e a cérvix aberta, geralmente acontece após dois meses que a cadela teve cio.

Na piometra fechada, ou colo uterino fechado, não há corrimento, e essa é uma forma mais silenciosa da doença. Esse é o tipo mais perigoso já que normalmente o dono só percebe a doença quando ela já tem atingido um estágio muito avançado.

Os sinais clínicos mais freqüentes, comuns às duas formas clínicas, são apatia, anorexia e vômitos. Os sinais podem progredir para choque ou morte, principalmente devido à insuficiência renal aguda (IRA) que é uma das mais importantes complicações da enfermidade, elevando a mortalidade a qual pode chegar a mais de 70%. Outra evolução importante a qual também contribui para a alta mortalidade é a sepse (infecção generalizada), possibilidade sempre presente especialmente em piometra fechada.

Assim que a piometra for diagnosticada pelo veterinário, provavelmente a cadela irá ficar internada. Ovariosalpingohisterectomia (castração) é o tratamento de eleição para a doença, geralmente resultando em rápida recuperação do animal. O prognóstico é bom, caso se evite a contaminação transoperatória, haja controle do choque e se reverta os danos renais por meio da fluidoterapia.

Cadelas castradas, não corre o risco de ter piometra!

Colunista: Jackelyne Dutra – CRMV-GO 05767
Foto Capa: Vânia Santana
Jornalismo Portal Panorama

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