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Leishmaniose Visceral

Foto: Divulgação/Internet
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Colunista: Jackelyne Dutra – CRMV-GO 05767

Classificada entre as seis endemias prioritárias no mundo – segundo o Ministério da Saúde, acometendo principalmente cães, gatos e humanos, a Leishmaniose é desconhecida por muitas pessoas. Os números da doença – segundo o Ministério da Saúde – revelam o impacto dela no Brasil: 90% dos casos da Leishmaniose Visceral Canina na América Latina acontecem no Brasil. Entre o ano de 2009 e 2013, 18 mil casos foram confirmados em humanos. A doença vem ganhando a atenção de todos, pois os casos estão aumentando a cada ano, assim como a taxa de mortalidade de cães e humanos.

Leishmanioses são zoonoses que tem como agente etiológico protozoário intracelular obrigatório do gênero Leishmania, sendo todos os mamíferos sujeitos à infecção. Pode se apresentar de duas formas distintas dependendo da espécie do agente etiológico envolvido: a leishmaniose tegumentar, marcada pela afecção de pele e mucosas, e a leishmaniose visceral, marcada pela afecção de órgãos internos (ETTINGER, 2010).

Apresentam duas formas: uma flagelada ou promastigota, encontrada no tubo digestivo do inseto vetor e outra aflagelada ou amastigota, que é intracelular obrigatória, sendo encontrada nas células do sistema fagocítico mononuclear do hospedeiro vertebrado.

No Brasil, a leishmaniose visceral tem como vetor duas espécies de flebotomíneos, Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi, conhecidos popularmente como mosquito palha ou birigui. A primeira espécie é a de maior importância por estar nas cinco regiões geográficas do país, e a segunda, específica do estado do Mato Grosso do Sul (BRASIL, 2010).

Esses insetos possuem atividade crepuscular e noturna, adaptam-se facilmente ao ambiente peridomiciliar, abrigando-se no interior dos domicílios e em abrigos de animais domésticos. Somente as fêmeas dessas espécies tem a hematofagia como hábito alimentar, utilizando o sangue apenas para a maturação folicular ovariana (DIAS, 2003).

Os hospedeiros vertebrados e reservatórios são infectados quando formas promastigotas são inoculadas pelas fêmeas dos insetos vetores durante o repasto sanguíneo. Ao se alimentar, o inseto inocula sua saliva que exerce o papel de anticoagulante, causa vasodilatação e antiagregação plaquetária além de efeitos quimiotáticos para monócitos e imunorreguladores com capacidade de interagir com os macrófagos, aumentando sua proliferação e impedindo a ação efetiva destas células na destruição dos parasitos. Dentro dos macrófagos (cels sanguíneas) a promastigota se transforma-se em amastigota e entra em multiplicação intensa até provocar a lise do macrófago. Os amastigotas liberados serão internalizados por outros macrófagos e dar sequência ao processo de multiplicação. A infecção do hospedeiro invertebrado ocorre quando ele ingere as formas amastigotas no momento do repasto em um indivíduo infectado. Ao chegarem ao intestino do vetor, as formas amastigotas sofrem intensa multiplicação e transformação até a sua forma infectante, promastigosta metacíclica. Os parasitas migram para as porções anteriores do aparelho digestivo do inseto comprometendo a válvula estomadeu, seguida da invasão da faringe, cibário e probócide, reiniciando o ciclo de transmissão.

Outras vias de transmissão já foram determinadas, como a transmissão transplacentária e a transmissão venérea. A transmissão iatrogênica também pode ocorrer pela transfusão de sangue contaminado.

A progressão da doença depende do tipo de resposta imunológica que ela provoca no indivíduo. A Leishmaniose visceral é uma doença de caráter sistêmico e crônico, afetando tecido cutâneo e vísceras. Os cães podem não apresentar sinal aparente, contudo quando sintomáticos, comumente apresentam mais de um sinal clínico.

Os sinais clínicos são secreção ocular, tosse, epistaxe (sangramento nas narinas), poliúria/polidipsia, icterícia (mucosas amareladas), letargia, intolerância a exercícios, febre, perda de peso progressiva, caquexia, perda muscular, vômito, diarreia, melena (fezes com sangue). Alguns estudos também relatam o envolvimento do sistema nervoso central acarretando sinais neurológicos como convulsão generalizada, alterações visuais, sinais de paresia de nervos cranianos, sinais de envolvimento vestibular e cerebelar, tetraparesia e tetraplegia, mioclonias, vocalização, andar em círculos e episódios de perseguição à cauda.

O diagnóstico da LVC é complexo devido ao caráter sistêmico da doença, sua gama de sinais clínicos inespecíficos e os custos dos exames. A combinação dos diferentes exames e a observação dos sinais clínicos é recomendada para a obtenção do diagnóstico mais seguro possível.

Por seu aspecto sistêmico e sinais inespecíficos, a anamnese do paciente quanto à região e condições ambientais do local de moradia, uso de repelentes e outros métodos de prevenção devem ser considerados e analisados de forma minuciosa, sendo pontos importantes para a suspeita e o diagnóstico de LVC.

A prevenção da leishmaniose nos cães é feita pelo controle da população canina errante, doação de animais somente após o exame para leishmaniose negativo, uso de telas em canis individuais ou coletivos e uso de coleiras impregnadas com deltametrina a 4% (BRASIL, 2010). Também existem produtos spot-on a base de permetrina com ação repente. Uma prevenção e controle mais eficaz seriam alcançados com o uso da imunoprofilaxia dos cães. Atualmente, há no mercado duas vacinas contra leishmaniose canina, Leishtec® e Leishimune®, que possuem registro no MAPA.

Desde agosto de 2016, a comercialização do Milteforan – medicamento usado no tratamento de cães com leishmaniose – foi liberada no Brasil, depois de anos de estudo e pesquisas – que foram realizadas em Andradina (SP) – eles conseguiram comprovar que o animal tratado não continua transmitindo a doença. Essa dúvida afinal é um antigo tabu da sociedade, que ainda tem preconceito em adotar ou cuidar de animais que tenham a doença. O tutor deve procurar o tratamento sabendo que vai lhe exigir responsabilidade, acompanhamento clínico, custos e que visa um tratamento individual e não como medida de saúde pública. Com a liberação de uma droga específica para o tratamento canino, o veterinário sai da clandestinidade e se for realizado de forma correta terá uma excelente possibilidade de tratamento do animal.

A leishmaniose humana e canina é uma doença que apresenta tratamento, mas é de difícil cura. Quando falamos de cura, quero dizer cura parasitológica estéril, o que é raro nesta enfermidade. O país passa por um aumento significativo e progressivo do número de casos humanos e caninos de leishmaniose visceral, gerando grande preocupação nos agentes de saúde pública, médicos e veterinários no país. Por isso, proteja seu animal com coleiras e medicamentos repelente de mosquitos, e tenha sempre um acompanhamento do veterinário. É uma enfermidade grave e que pode ser transmitida para sua família.

Colunista: Jackelyne Dutra – CRMV-GO 05767
Fotos: Divulgação/Internet
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